quinta-feira, 12 de abril de 2012

EmpAnthea

Por Maísa Bortoletto

Bem que me avisaram. Quando você começa a se sentir bem em outro país, está na hora de voltar para casa. Continuo com saudade do Brasil, da família, namorado, amigos e da comida... A diferença é que, agora, carrego comigo uma saudade, mais doída, de quem vou deixar aqui. Mais doída porque não sei quando e nem se um dia vou rever algumas pessoas.

Nesses quase quatro meses no Canadá, conheci muita gente. Pessoas de diferentes culturas, de dezenas de países. Cada pessoa passou em minha vida e me fez aprender alguma coisa. Mesmo aquelas que não me acrescentaram qualquer aspecto positivo, proporcionaram-me um pouco mais de autoconhecimento, para que eu pudesse buscar, realmente, as pessoas que mudariam a minha vida.

Os canadenses são muito educados e prestativos. Mas, passei um bom tempo me sentindo sozinha. O que faltava era empatia, algo que não sei bem explicar, mas sei muito bem sentir.

Por isso, vou falar aqui da minha amiga Anthea. Ela trabalha no Departamento Internacional da faculdade. Eu sabia que devia procurar por ela ou pelo Jason – outro funcionário do departamento – quando chegasse aqui. E eu lembro que pensei: “Vou procurar pelo Jason, pois não tenho a mínima ideia de como pronunciar ‘Anthea’”.

E, no primeiro dia da faculdade, vi uma menina auxiliando os estudantes internacionais. Fomos apresentadas e, claro, era ela. Aí descobri que a pronúncia era mais ou menos assim: ‘êntia’. Bom, só sei que ela prontamente me levou para conhecer toda a faculdade. Eu já tinha falado com duas pessoas do departamento antes disso e fui muito bem recebida. Mas, com a Anthea, eu não fui bem recebida, apenas. Eu me senti em casa!

Engraçado que não nos encontramos muitas vezes, pois ela viaja muito a trabalho e passou mais de um mês fora do país. Mas, as poucas vezes em que conversamos, bastaram para se tornar momentos inesquecíveis. Foi a pessoa que mais conheci e a que mais me conheceu.

Talvez essa empatia possa ser totalmente explicada pela forma com que ela me trata desde o começo. Com alegria, falando o quanto gosta do Brasil, esclarecendo minhas dúvidas, compartilhando o seu tempo comigo. Talvez... Mas, ainda acredito que parte desse sentimento é um milagre da vida, sem explicação, acontece, simplesmente. É preciso se conectar à sensibilidade que nos permite enxergar quem queremos levar no coração daqui pra frente.

No próximo dia 15 de abril, minha amiga embarca para o Oriente Médio. Farei de tudo para revê-la o quanto antes, mas sei que será uma despedida muito triste, já que, dessa vez, não comprei minha passagem de volta.

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